domingo, 20 de dezembro de 2009

O saldo real da Confecom (de quem realmente esteve lá e participou) – parte 1

Não foi com muita surpresa que abri o Estadão de hoje e vi um editorial sobre a 1ª. Conferência Nacional de Comunicação cheio de generalizações (Leia aqui). Lógico que acabaram com a Confecom. Não sou a favor de posts muito longos e me desculpe quem também não gosta, mas este vai ser. Porque quero pegar ponto a ponto do discurso do Estadão e contrapor neste espaço. Acredito que todos na blogosfera devam fazer o mesmo já que o jornal não dará a mínima chance para o debate, mesmo afirmando que é a sociedade civil que quer fazer censura. Como delegado e defensor de algumas propostas importantes que passaram, acredito que este é o meu dever.

Comecemos pelo final. Isso mesmo. A última frase do editorial é a que mais choca pela total de, digamos, elegância ao escrever. “O governo agiria mais sensatamente se mandasse todas elas (as propostas aprovadas na Confecom) para o lixo”. Ora, duas mil pessoas passaram quatro dias debatendo o que seria melhor para o setor de Comunicação no Brasil. Representantes da sociedade civil, do empresariado e do poder público. As grandes emissoras e os jornais (Estadão incluso) não participaram porque não quiseram. Fariam isso só se fosse pelas regras deles e afirmaram que era porque os movimentos sociais dominariam o debate.

Muito bem, vai aqui uma proposta. Por que então Abert, ANJ e afins não propõem um debate sobre comunicação nos moldes deles? Nem isso querem? Façam um evento contraposto, proponham mudanças e coloquem em debate. Democracia é isso, é debate, defesa de idéias e vitória da maioria. Isso não aconteceu até hoje e não deve acontecer porque não querem mudança. Se quiserem, preferem acionar lobistas no Congresso a deixa todos discutirem.

Em primeiro lugar, a “participação majoritária de assessores de imprensa de sindicatos e órgãos públicos” é uma falácia. As representações foram divididas em 40% para a sociedade civil, 40% para os empresários e 20% para o poder público. Na sociedade civil, jornalistas dividiam espaço com publicitários, psicólogos, professores e estudantes. No poder público, eles também dividiam espaço com deputados, professores e afins. Já no empresariado, a maioria era de funcionários das empresas, que obedeciam rigidamente as decisões dos superiores.

Isso leva ao índice de ausentes. Funcionários liberados pelas empresas e funcionários públicos foram quase todos. Defensores da sociedade civil que precisaram pedir aos patrões para comparecer nem sempre conseguiram. Se as propostas votadas são um lixo, não foi por imposição da sociedade civil.

(Continua...)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Confecom mais uma vez ameaçada


Depois do acordão que salvou a Conferência Nacional de Comunicação, ela mais uma vez pode estar em risco. Explico para quem não entendeu o post anterior. O empresariado tentou, a todo custo, modificar uma regra por baixo dos panos e implantar questão sensível na votação dos Grupos de Trabalho.

Acontece que, com isso, o setor poderia barrar várias e várias propostas da sociedade civil organizada sem o menor esforço. A sociedade civil poderia barrar as propostas deles também, mas tudo ficaria no zero a zero e quem ganha com a manutenção da ordem atual são eles.

Muito bem. Sociedade civil, empresarial e poder público conseguiram fazer com que cada grupo garantisse inclusão de propostas na mesma proporção de delegados, ou seja, 40-40-20, respectivamente. Tudo correu bem até quer começaram os GTs e a plenária, na noite de hoje. O que se vê é que empresários de um lado e radicais da sociedade civil, de outro, tentam atrapalhar os trabalhos como bem entendem.

Tal atitude atrasou toda a programação. Como vários membros têm o retorno amanhã programado para a noite, após o término oficial, o que se verá é o esvaziamento do plenário antes do término prático dos trabalhos, já que todos têm que voltar às cidades de origem.

A discussão continua lá dentro do auditório. Mais uma vez, vamos ver no que vai dar.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Confecom começa com golpe dos empresários

Não estou surpreso com a tentaiva de parte do setor empresarial querer boicotar a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Não estou mesmo. Estaria se visse que todos querem jogar o jogo de forma transparente. O que aconteceu ontem antes da abertura foi a tentativa daquele grupo de se retirar da Conferência (e aí ela perderia a legitimidade) se não seguíssemos as regras deles. Eles queriam ser os donos da bola.

Para que a Conferência continuasse, algumas entidades da sociedade civil recuaram. Deram a faxa e o queijo para os empresários. Atitude tomada como essencial por uns, pelega por outros. Não discuto aqui os méritos já que não haverá espaço para que as regras voltem a ser como antes. A estratégia agora, segundo alguns membros da sociedade civil da qual partilho a opinião, é combater fogo contra fogo. Para isso a sociedade civil deve aparar arestas, acabar com a fragmentação e votar fechado em certas discussões.

Vamos ver no que vai dar.